domingo, 8 de maio de 2011

Em Baux de Provence, um conto de fadas

 Baux de Provence (Le bô) é um vilarejo em tom bege claro, quase branco que fica bem pertinho de Saint Rémy. 

A cidade, que tem esse nome porque o mineral bauxita foi descoberto lá em 1822, lembra uma vila medieval de conto de fadas, com apenas 500 habitantes que tem uma atividade cultural intensa, rica e diversificada.
Depois de uma estrada sinuosa no meio de uma planície verde, com uma vista de impressionar, a gente se deparou com aquele maciço rochoso de paredes, muito íngremes, de 900 metros de altura.  
Baux foi cidade fantasma por 300 anos e parece um passeio pela idade média com direito a catapulta e ruínas de um grande chateau. Só na década de 70 um programa de restauração abriu  para o turismo.
Deixamos o carro estacionado do lado de fora e pagamos uma entrada para essa visita e fomos então conhecer aquele vilarejo que mais parecia saído de um conto de fadas, com um castelo lindo lá no alto, passando por ruelas que também pareciam uma fábula. Jurávamos que a Cinderela poderia ter vivido ali , pensando bem, qualquer personagem de conto de fadas.
Andando por aquelas vielas onde moravam os duques mais poderosos do sul da França, no século 11, fomos entrando no clima, pois do alto desse rochedo esses guerreiros dominavam quase uma centena de cidades e vilas ao redor até serem derrotados no século 15.
O cenário era muito encantador e em cada portinha que passamos havia lojinhas como a L’Occitanne, que vivemos a experiência, algumas delas que fomos totalmente atraídas pelo cheiro gostoso de  perfumes feitos na região ou mesmo chocolates. Mas uma delas foi especial ,pois tinha todo tipo de azeitona, azeites, patês, especiarias, bebidas diferentes, tudo isso despertando uma fome tão grande que decidimos nesse dia fazer um pic nic quando saíssemos de lá, comprando muitas dessas delícias.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O verdadeiro charme de Saint-Rémy

Nem é preciso dizer que a estada em Magnolia foi simplesmente maravilhosa e que recomendamos muito para quem quiser conhecer o modo de vida provençal, que não deixe de ficar num chambre d'hôte como este, em especial. Depois de um delicioso café da manhã preparado por nossos anfitriões, onde rimos muito pois pedimos chocolate quente e Mireille disse que seria mais caro por não constar do cardápio, claro que por brincadeira, pois ela fez aquele verdadeiro chocolate francês, bem cremoso, divino!!

Mas tinhamos que seguir viagem ao outro lado da Provence em direção à Saint Rémy e Baux en Provence para dormirmos em Avignon, onde já tinhamos hotel reservado por duas noites. Antes de embora, Pietrick nos deu um bouquet de lavanda, daquele tamanho que daria para fazer uns mil sachês e ele nos acompanhou pelo resto da viagem deixando nosso carro perfumado. Pé na estrada, linda, dia de sol, céu pintado de azul, chegamos em Saint-Remy de Provence, cidade charmosérrima que conseguimos conciliar no mesmo dia do mercado famoso, aliás, da melhor qualidade.
A cidade uma graça, maior que as aldeias do Lubéron, mas com uma paisagem especial e arquitetura típica. A feira era irresistível, que além de tudo tinha muita mercadoria diferente e com preço ótimo, só como exemplo, a Amanda levou por  50 euros uma bolsa linda que certamente no Brasil não sairia por menos de 800 reais, na Le Lis....
Então, já sabem, para quem quiser comprar coisas bonitas e diferentes, há uma infinidade de peças de enxoval, lenços e echarpes, enfeites para casa, sabonetes de todos os tipos, com destaque para os de lavanda (claro), fora os ingredientes para quem se aventura na gastronomia. Sem palavras para descrever todos os tipos de temperos, azeites, ervas, com um aroma delicioso. 
Mas não foi só isso, St-Remy também foi conhecida por promover os festivais nas décadas de 60 e 70, inclusive alguns de nossos artistas da bossa nova e da jovem guarda estiveram lá e fizeram muito sucesso naquela época. Fora isso vimos bistros da melhor qualidade, o já famoso Café des Arts, que é uma oportunidade de imaginar aquela época em que Jean Cocteau, Nostradamus ou Picasso viveram por lá. Saint Rémy é conhecida como “a Provence realmente autêntica”.
Além disso, é famosa pelos chocolates do chocolatier Joel Durand que há duas décadas está radicado na cidade, por isso fomos na loja dele primeiramente na hora do almoço e estava fechada, depois antes de seguirmos para Baux quando conseguimos experimentar alguns delicados bombons, herbes de Provence, chocolats de Provence, bombons com  pimenta, jasmin, curry, earl-grey, amêndoas, lavanda, violeta e até de azeitonas. O diferencial é que cada bombom é pequenino e tem um decalque de uma letra do alfabeto em cima, de A a  Z.
Ah, ele estava na loja também e diferentemente do que imaginávamos ele nem foi simpático, talvez não estivesse nos seus melhores dias, mas pelo menos vivenciamos aquilo que pesquisamos e podemos deixar aqui nosso depoimento, o bombom é gostoso e diferente, mas em Paris certamente se encontram chocolates bem melhores...
Fomos também a uma espécie de museu, o antigo hospital psiquiátrico onde Van Gogh foi internado algumas vezes durante um ano para tratamento, estadas entrecortadas de criação e de abatimento. Do seu quarto ele via as colinas inclinadas sobre os campos, nos Alpilles. E, apesar da angústia que ele sentia por causa de sua doença e da severidade do hospital, ele encontrou a inspiração para pintar verdadeiras obras primas, na paisagem outonal das oliveiras, dos campos, do sol, das colheitas, das noites estreladas e dos ciprestes. Nos jardins conservados e maravilhosos, que reconhecemos nas telas de uma maneira singular, quando produziu Campo de Trigo e Ciprestes e Desfiladeiro. Para entender Van Gogh, o livro que ele escreveu ao seu irmão - Cartas à Théo - que descreve bem o que ele viveu naqueles dois anos na Provence e o seu pensamento estético. 



domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mas du Magnolia

Depois de um dia incrível passando por Buox e Bonnieux, com muitos momentos contemplativos, cenários de cinema, passando por estradinhas sinuosas e bonitas, chegamos em Ménerbes. Conhecida cidade, aqui moraram diversas celebridades a começar por Picasso, em 1946, Henry Matisse, Virgínia Wolf e o já nosso conhecido Peter Mayle, quando escreveu o livro "Um ano na Provence".

Quando chegamos vimos que Menerbés estava toda em restauração, com diversas ruas fechadas, mas também avistamos na extremidade La Citadelle, um dos locais da vida de Picasso, pena que não visitável.

Paramos o carro no meio das placas de restaurações e entramos obviamente num café, único lugar aberto próximo dali.
Lá fomos atendidos por uma portuguesa que nos informou que os hotéis da cidade estavam fechados mas que conhecia um chambres d'hotes, que ficava num sítio perto dali, chamado Mas du Magnolia.


Gentilmente ela mesma ligou e estávamos com sorte, o proprietário não havia fechado seu estabelecimento e ainda nos daria um desconto por ser baixa estação.
Quase nos perdemos, aliás, chegamos num local onde havia um sítio, mas não tinha ninguém,.


Estávamos pensando em seguir viagem, talvez ir para outra cidade maior antes de escurecer, mas a Eliane havia ouvido da portugesa que Magnolia era muito bonito então não desistiu, conseguiu um informação da localização correta e felizmente chegamos praticamente no paraíso.


Pietrick e Mireille nos receberam na porta com um sorriso, simpaticíssimos, falando francês e inglês.

Eles nos mostraram a propriedade, linda, com um jardim imenso, duas casas, uma para os hóspedes e outra deles, mais uma piscina grande com um salão ao lado cheio de mesas que é usado nas refeições que eles servem nas estações mais quentes.

Os chalés eram um capítulo a parte, cada um decorado com móveis no estilo provençal, mas diferentes entre si e de muito bom gosto. As roupas de cama, 200% de algodão puro, as de banho novíssimas, tudo era muito limpo e com cheiro de lavanda. Nem precisávamos dizer que era de longe a melhor hospedagem de toda viagem, para nós, 6 estrelas.

E a experiência de "morar" numa residência local, isso sim era parte da nossa vivência slow travel, um vinho rosé da região, da melhor qualidade, com uns aperitifs, estávamos mesmo no lugar certo, na hora certa.... (soubemos que tivemos mesmo uma sorte enorme pois Magnolia tem de reservar com antecedência principalmente da primavera até o outono).



Pra finalizar um dia tão maravilhosamente especial Pietrick ainda nos recomendou e acompanhou a um restaurante "vraiment" especial, o La Bergerie em Maubec.


Lá ainda saboreamos o melhor vinho local e um coq au vin, de comer de joelhos (nesse local também há sessões de jazz em algumas noites, não nessa 3a. feira mágica, mas também o que queríamos mais?!).

Surpresas inusitadas

 
Depois de nos deliciarmos na feirinha de APT com tantas frutas gostosas, lá fomos nós novamente tendo ao volante a Eliane (segundo ela, as outras só se ofereciam para dirigir depois de instaladas dentro do carro... há controvérsias, mas isso é um capítulo à parte).

Assim, lá fomos nós sem o GPS, lembrando que levamos um do Brasil que não funcionou, e com o mapa mesmo e diversas direções que podiam nos levar a tantos lugares como também nos confundir, o que na Provence não foi nada mal.

Nessa terça- feira, pelo nosso roteirão tinhamos programado ir a Buox, Bonnieux e Ménerbes para dormir talvez numa pousadinha ou chambre d'hotes (que significa ficar num quarto de casa de família, muito comum em toda região). Cumprimos nosso roteiro sim, mas claro com várias surpresas positivas sensoriais, como tudo no Luberon. Prova disso é que acabamos conhecendo lugares diferentes, nada mal pra quem estava viajando numa experiência slow travel.

Primeiramente paramos em Buox, vila com dezenas de casas de pedra numa estradinha sinuosa e o visual dos vales do Luberon, com certeza os campos mais lindos da região. Influenciadas pelo livro de Peter Mayle, procuramos o bistrot Auberge de la Loube, do chef Maurice, que tava fechado Ficamos do lado de fora tirando fotos esperando para ver se o restaurante iria abrir, mas não apareceu ninguém. Seguimos para Bonnieux,
vilarejo no topo de uma colina, com os predinhos de pedra construídos nas encostas e alguns vestígios da muralha antiga. Foi tão inspirador que resolvemos almoçar no Hotel Restaurant Panoramique César, com uma gastronomia fantástica, sem falar da vista sensacional do vale.


Mesmo mudando os planos iniciais, fomos surpreendidas por situações novas e inusitadas que valeram muito.
Com tudo de bom, esse dia tava mais do que ganho, mas tivemos mais emoções que não vão caber só neste post. À tarde resolvemos caminhar e ao passarmos por uma escada bem alta e subimos e nos deparamos com o mirante.

De lá, uma vista de deixar o queixo caído, um verdadeiro paraíso, com uma imagem de Cristo Redentor, uma árvore gigante milenar e uma sensação nova: paz de espírito. 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Chuva provençal em APT


Chegamos em APT numa tarde de 2a. feira com um chuvinha fina e depois de alguns dias passando pelas aldeias como Lauris, Lourmarin, Gordes e Roussillon chegamos numa cidade bem simpática, onde o centro fica colorido pelo mercado de rua, nos arredores da Place da La Bouquerie, em frente ao hotel que escolhemos para pernoite - Aptois.  

No hotel Aptois ficamos num quarto quadruplo muito grande, limpo e espaçoso e com preço bem interessante!!

Na frente do hotel tinha um Café e Bar bem gostoso, onde, prá variar, cada uma pediu algo diferente (café com leite, cappucino, café puro e chocolate) até sairmos para passear pelo centrinho antigo, numa leve chuvinha outonal...

Isso foi uma delícia pois queríamos conhecer lugares novos e andamos naquelas ruelas medievais, cheias de lojinhas "conceito" numa arquitetura simples e especial.

À noite, escolhemos pizza para jantar no "Argentina" especializado em comida italiana, soborosa!

No dia seguinte, antes de viajarmos em direção a Ménerbes fomos na feirinha de Apt, que é menor e mais simples do que a de Isle, mas são 200 barracas que vendem trufas negras, aspargos, ervas aromáticas, queijos, frutas, flores, roupas, livros e cerâmicas, diretamente expostas pelos produtores locais.






  






sábado, 27 de novembro de 2010

No alto das Montanhas do Luberon


Depois do jantar maravilhoso na Casa Rosario em Gordes e uma noite de sono tranquila na Hostelaria Provençale, aproveitamos a manhã de 2a. feira, dia 8/11 para conhecer a aldeia tão especial no alto das montanhas.

Gordes durante o dia apresenta um visual diferente do que vivenciamos na noite anterior pois o ponto mais alto da vila parece um cenário de conto de fadas, com um castelo enorme que virou museu, très joli. 


Uma nova sensação despertou ao caminharmos pelas calades  – as vielas de pedra, às vezes em degraus o – observando as arcadas das casas antigas e as lojinhas de artesanato. Sem falar das boulangeries com cheiro de pão "francês" saído do forno fresquinho. 
Não era o dia do mercado de rua, que sempre oferece um colorido vivo, mas nem assim tirou o charme daquela visão maravilhosa de Gordes. Estamos no outono, a estação do ano que traz uma luminosidade dourada e que sempre foi tão prestigiada nas artes, pelas suas cores misturando o verde e amarelo das folhas com o azul do céu, mas outro ponto alto é o verão, quando acontecem uns concertos ali e também quando os campos de lavandas ficam floridos em tom lilás..


Ao deixarmos Gordes, aquelas imagens ainda mexendo com a gente, novamente pegamos a estrada de curvas e cenários de filmes para seguimos em direção à Roussillon, uma aldeia toda feita de casas coloridas pelo ocre laranja, amarelo ouro ou vermelho, também no alto das colinas.


Formada por um espiral das ruas, cores vibrantes, que são misturas de argila com óxido de ferro achado nas minas das colinas ao redor e suas falésias. Em Roussilon existem diversos locais de exposição de arte, pois são mais de 50 artistas que representam a cidade da arte em cerca de 10 galerias as quais os artistas são associados para valorizar a  temática da arte da região.


 Símbolizados em suas cores, as matérias e a valorização do ocre, que é o ponto comum de todas as obras, abstratas, figurativas, esculturas em cerâmica, bronze, vidro, metal, bijouteria. 


A pedreira de ocre, hoje em desuso, é ponto de partida para uma trilha por 15 km ao Colorado de Rustrel, que é um espetáculo natural. Estava bem frio nesta tarde e resolvemos aproveitar as compras nas lojinhas de artesanato e passeamos pela magnífica paisagem, antes de seguirmos viagem.

De lá fomos para Apt, cidade situada no coração entre as montanhas de Vaucluse e Luberon, Apt já é bem maior com mais de 10.000 habitantes, conhecida pelos ótimos produtos e sua excelente localização, além da cidade velha com casarões antigos, belas fontes e praças.
É também conhecida como a capital mundial das frutas cristalizadas. Encontramos um hotel chamado Aptois, bem localizado, com apartamento para 4 pessoas e elevador (sempre bom perguntar antes) ao lado da cidade antiga. Chegamos em Apt com uma chuvinha...



domingo, 21 de novembro de 2010

Que frio em Gordes!

Gordes fica no alto de uma montanha e foi construída nas pedras, sendo uma das mais belas vilas medievais da França. Logo na chegada uma vista deslumbrante da cadeia de montanhas do Luberon lá de cima. Assim que descemos do carro, um golpe de frio nos assustou, até porque estava no final da tarde, naquele lugar misterioso.


Parecia um inverno da idade média, muito frio e seu lindo casario dourado que desce a montanha não ficou tão nítido assim, afinal tinhamos visto fotos tiradas no verão...
Foi emocionante imaginar como viviam as pessoas na época medieval naquela vilinha.
Mesmo sendo sombrio, resolvemos antes mesmo de nos instalar no hotel da praça (Hospedaria Provençale), darmos umas voltas pelas ruelas em torno da catedral.
Mas o melhor ainda estava por vir, após um ótimo banho, tivemos a sorte de encontrar um restaurante excelente aberto para jantarmos, depois de termos cancelado a reserva no Vieux Bistro,  em Cabriéres D'Avignon, essa sim uma cidade fantasma... 
Casa Rosário

Encontramos por acaso em Gordes o restaurante Casa Rosario, que foi um dos melhores que tivemos nessa viagem, com uma ótima chef de cuisine francesa, que preparou pratos provençais deliciosos. Apenas é preciso atentar-se ao horário pois o jantar nessa região é cedo, não devendo chegar depois das 20h30.  Nota 10 para o atendimento impecável do maitre, que nos recomendou um vinho bem saboroso, Cote du Rhone para degustarmos juntamente com as massas especiais da região, algumas delas com frutos do mar